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quarta-feira, 15 de junho de 2011
O ponto errado
domingo, 5 de junho de 2011
Comunicação de Crise
Comunicação de crise é uma ação não muito difundida no Brasil, mas que aos poucos começa a ganhar destaque nas as organizações. Em especial as empresas públicas e de economia mista (Petrobras e Dataprev, por exemplo) como foi possível perceber em editais recentes de concursos para provimento de cargos.
A Petrobrás é, possivelmente, a empresa nacional que mais tem investido em planejamento para situações de crise. Trata-se de uma preocupação existente desde o acidente com a plataforma P-36 na Bacia de Campos (RJ) em 2001.
Na administração direta, porém, observa-se a carência de know-how pra gerenciar situações críticas, como se pôde perceber no recente escândalo envolvendo o Ministro da Casa-Civil, Antônio Palocci. Ficou evidente o despreparo do governo para lidar com a crise e, principalmente, como agir junto aos meios de comunicação. A decisão do ministro de não dar declarações a respeito do assunto foi um erro grave. O público espera que uma pessoa (ou instituição) de credibilidade manifeste-se imediatamente quando sua integridade moral é questionada. A ausência de um pronunciamento oficial de Palocci logo que surgiram as primeiras denúncias colaborou para manchar sua imagem.
A entrevista ao Jornal Nacional na última sexta-feira, 04/06, veio tarde e as informações superficiais dadas pelo ministro parecem ter contribuído apenas para piorar sua situação.
É possível que Palocci tenha recorrido ao auxilio de advogados para preparar suas respostas, um outro erro bastante comum. A falha em deixar em delegar a advogados é que estes, na ânsia de evitar possíveis processos jurídicos, acabam por ignorar a expectativa da população por informações claras. Cabe, na verdade, aos profissionais de Comunicação a incumbência de gerir as informações sobre a crise.
Um outro motivo para deixar esta responsabilidade nas mãos destes profissionais, é evitar o risco de a pessoa atingida deixar-se levar pelas emoções provocadas pelo ataque da mídia. Como aconteceu recentemente com a Secretária de Saúde de Araçatuba, cidade onde moro, no interior de São Paulo, que durante um discurso para entrega das reformas de um maternidade municipal (que teve que passar por rápidas mudanças estruturais após a morte de dez bebês apenas este ano), referiu-se aos repórteres como “ratos da imprensa”.
Não se deve, contudo, julgar a Secretária por sua declaração. É fato sabido que a imprensa dá mais destaque a notícias trágicas que às boas realizações do Poder Público. As declarações da Secretária são conseqüência da falta de preparo da Prefeitura Municipal de como agir em circunstâncias críticas. É preciso que toda organização (pública ou privada) tenha um Comitê Gestor de Crises pronto para gerenciar situações como essa, preparando-se, inclusive, para dialogar adequadamente com a imprensa.
O assunto Crise é extenso e muito interessante. Há no mercado consultorias especializadas no assunto, porém é um mercado ainda pouco explorado. Futuramente voltarei a abordar o assunto.
Boa semana!